Queridos amigos e seguidores deste blog.
É com algum pesar, mas também com algum alívio, que anuncio o fim do Um resto de café frio.
Foi através dele que meu eu-poético se revelou como é, nasceu para sua existência, e também entendeu quando seria a hora de encerrar-se. E, por encerrar-se, meus queridos, deve-se entender: permanecer fechado, abrigado, guardado. Este universo criado por ele, e para ele, é um mundo egocêntrico: não admitia outra divindade, posto que ele próprio era o Criador; admitia outros seres, mas ele próprio os recriava à sua imagem e semelhança; estabeleceu as próprias leis que regiam a maneira de ser e de existir nesse universo, mesmo sabendo que roubava estas leis dos universos de outros demiurgos, outros eus-poéticos, como as presentes nas obras de Marcia Szajnbok, Ju Blasina, Henry Bugalho, Maria de Fátima Santos, José do Espírito Santo, Caio Rudá, Carlos Alberto "Davissara" Barros, Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana.
Estes meses em que estivemos aqui eu e este ser-poético confuso, escuso e arredio, conheci muitos dos meus medos, meus demônios, minhas lentes para ver e entender como o mundo exterior se recria intimamente. E, também, para entender como e por que a poesia se revela, ou se transforma em mim.
O universo do Café Frio existe. Todavia, seu criador, essa voz que fala nos poemas, é a única criatura: confunde-se com a própria obra, como um deus pagão. Este eu-poético é o conjunto da obra. Ele vai continuar existindo aqui, para todos os que desejarem tentar entendê-lo. E, conhecendo a ele, será possível conhecer um pouco a mim também. Mas chegou o momento de nós, eu e o Café Frio dividirmos nossas existências.
Esta despedida não significa que eu, Volmar Camargo Junior, me afastarei da poesia. Significa, unicamente, que o que foi criado como sendo esta obra permanecerá aqui, nesta supra-realidade que é a web. Encerrada, sim. Concluída, muito provavelmente, não. Este eu-poético aqui deixou minha poesia grávida, e logo dará à luz um outro. Torço para que esse próximo demiurgo das minhas letras não queira ser um Zeus, que matou o próprio genitor. Se isso acontecer, talvez o Café Frio vomite todos os outros meus eus-poéticos que ele devorou avidamente durante um ano e nove meses, temendo ser destronado.
A todos os que nos acompanharam, meus sinceros agradecimentos. Nos encontraremos num outro universo poético.
Com carinho
V.
1 comentários:
Fiquei mais triste. Minha leitura perdeu um bocado de razão... Isso aqui me fazia ver (ou imaginar que via) tantos outros como as minhas tantas outras. Acabo de ficar um pouco órfã das ideias...
Mas quando tua poesia - ainda grávida - parir, conte-me dela, de você...
Pra gente não deixar de se esbarrar nessas desrazões ocasionais que tornam a vida tão melhor...
Beijos, V.
A.
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