17.8.10

Left Handed Poetry, XXVII






aqui
não
lá em casa
mas para que lado fica a minha casa?

nunca estive na minha própria
ou
se estive
esqueci

restou um caminho
aonde leva?
será mesmo que eu quero andar nele?

na dúvida
guardo o caminho no bolso
só não sei
se vou saber voltar

e quem é que vai saber
se eu voltar
ou se eu me for
ou se eu roubar o caminho?

e quem é que decide
se a casa que eu não conheço
(ou conheço? eu realmente não lembro)
deve ser uma casa para estar?

na dúvida
guardo a casa no bolso
só não sei
se vou querer entrar

e aqui
aqui é onde mesmo?
para isso a que chamam aqui
não tenho bolso que baste







5 comentários:

Maria de Fátima disse...

ontem li o quarto
li alto os quatro doces (são quatro, não saõ?!) e gostei muito ainda mais se ditos no silêncio de uma noite debaixo de estrelas- nem imagina como soam bonitos:)

Juliana Rizzo disse...

Identifiquei- me com este poema, tão bom que gostaria de tê- lo escrito...

Abço.

I'm Nina, Marie, etc... disse...

Li e pensei: "Pois... mas para que lado fica a minha alma?"

Gostei muito. As usual.
Bjs

V. disse...

Thanx a lot, girls!

É bom refletir sobre para que lado fica a alma. Para que lado fica, mesmo?

I'm Nina, Marie, etc... disse...

Bem, pra que lado ela foi, não sei... Mas que ela passou por aqui, ah, passou mesmo!
;)