(clique na imagem para baixar o livro)
Este é o quarto volume que reúne os poemas publicados no blog Um resto de café frio (http://restodecafefrio.blogspot.com) entre os meses de janeiro a junho de 2010, e é intitulado, simplesmente, QU4RTO.
Desde que concluí o terceiro volume de poemas, queria que a coletânea seguinte se chamasse Quarto: por motivo mesmo do numeral; e por causa do substantivo – quarto, cômodo, alcova, dormitório, etc. Gosto de palavras que se inscrevem em mais de um grupo de significados.
O numeral facilmente se explica: trata-se do quarto livro contendo os poemas do blog (o que me surpreende sobremaneira, diga-se de passagem), e tem “algo” de o quarto disco do Led Zeppellin, que não tem nome, mas convenciona-se chamar de “The runas álbum”, ou “4” , ou “The Fourth”, o que também justifica esse formato de encarte de disco. Pensei também em homenagear a Legião Urbana, cujo quarto álbum se chama As quatro estações, mas achei que não têm muito em comum, além da abordagem sexual de alguns dos textos, tanto os meus quanto os do Renato. Já o místico e legendário “4” do Led, no que diz respeito aos temas, não se equivalem. Talvez alguma inspiração, mas nada que se possa (ou que eu possa) observar superficialmente. Fica aí uma deixa para os arqueólogos que encontrarem minha obra no futuro, depois que o mundo acabar, tenham algo para se entreter. Duvido muito que isso algum dia venha a interessar algum estudioso além de meus amigos mais chegados, e no presente; e o único deles que é arqueólogo passa longe de gostar de minha poesia.
Já a segunda abordagem, o quarto, é de fato a inspiração dos textos desse período: o tanto da vida que se passa dentro de quatro paredes, e, mais especificamente, destas que se convencionou usar para o repouso, mas que acaba sendo o refúgio da intimidade, mesmo que não necessariamente sexual, mas de isolamento, de reflexão, de fuga da convivência. Um apartamento divide, compartimenta, organiza as unidades familiares umas das outras no espaço urbano; mas o quarto faz o mesmo entre as pessoas dentro das residências, definitivas ou temporárias. E ninguém convida outra pessoa para o próprio quarto sem dividir com ela sua intimidade.
Entretanto, esta não é uma coletânea especificamente intimista, ou erótica, ou sexual, ou, sei lá, numerológica, mística, cabalística ou esotérica. É um número de poemas, que, mais por acaso que por uma meta racional, organizaram-se por conta própria em um grupo de vinte e quatro textos. Divididos entre as seis letras da palavra QUARTO (ou Qu4rto), formam seis grupos de quatro poemas. Números, apenas.
Afinal, retirando-se os habitantes dos quartos, o que resta são apenas as quatro paredes.
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Apresentação de Maria de Fátima Santos, poeta, contista, amiga e colaboradora da Revista SAMIZDAT.

1 comentários:
Uma beleza - como todo verso que flui de ti! Parabéns, compadre!!!
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