o tédio come
come cabelos caídos no ralo
cadeiras mornas
poltronas de ônibus mornas
lençóis mornos amarrotados
come xícaras de café
copos de isopor
colheres de chá descartáveis
come guarda-chuvas
controles-remotos
check-ins
canhotos de embarque
come horas de televisão
dias de asfalto
semanas de sal e gordura e água malcheirosa
e lixo doméstico que não tem residência fixa
come o ferro do sangue
o cristal dos olhos
os humores da pele
o chumbo dos pesos da balança que mede o valor do que se dissipa
se deixar
o tédio come a vida inteira
2 comentários:
bom, mr.v! esse tédio, freud o chamou "pulsão de morte"... come, mesmo, tudo... come-nos, mata-nos...
vivamos, então, enquanto é tempo!
grande abraço!
Olá!
Sua poesia parece ser introspectiva, ela varre por dentro da alma o lixo que deixamos lá no canto esquecido.
Eu gostei muito de tudo que escreve.
- Fico feliz que você segue meu simples blog sobre caridade e costumes de meu povo.
Te desejo Paz
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