10.7.10

Left Handed Poetry, XVI




o tédio come

come cabelos caídos no ralo
cadeiras mornas
poltronas de ônibus mornas
lençóis mornos amarrotados

come xícaras de café
copos de isopor
colheres de chá descartáveis

come guarda-chuvas
controles-remotos
check-ins
canhotos de embarque

come horas de televisão
dias de asfalto
semanas de sal e gordura e água malcheirosa
e lixo doméstico que não tem residência fixa


come o ferro do sangue
o cristal dos olhos
os humores da pele
o chumbo dos pesos da balança que mede o valor do que se dissipa


se deixar
o tédio come a vida inteira




2 comentários:

marcia szajnbok disse...

bom, mr.v! esse tédio, freud o chamou "pulsão de morte"... come, mesmo, tudo... come-nos, mata-nos...
vivamos, então, enquanto é tempo!
grande abraço!

Isha Shiri disse...

Olá!

Sua poesia parece ser introspectiva, ela varre por dentro da alma o lixo que deixamos lá no canto esquecido.

Eu gostei muito de tudo que escreve.

- Fico feliz que você segue meu simples blog sobre caridade e costumes de meu povo.

Te desejo Paz